{"id":155,"date":"2021-07-30T00:03:46","date_gmt":"2021-07-30T00:03:46","guid":{"rendered":"https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/web\/?p=155"},"modified":"2021-09-08T18:41:29","modified_gmt":"2021-09-08T18:41:29","slug":"micro-prosas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/es\/micro-prosas\/","title":{"rendered":"Micro-prosas"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/web\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG_1672-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-269\" srcset=\"https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/web\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG_1672-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/web\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG_1672-300x225.jpeg 300w, https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/web\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG_1672-768x576.jpeg 768w, https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/web\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG_1672-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/web\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG_1672-16x12.jpeg 16w, https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/web\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG_1672-750x563.jpeg 750w, https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/web\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG_1672-550x413.jpeg 550w, https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/web\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IMG_1672.jpeg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Descasco batata-doce ouvindo Tom Z\u00e9 falar. Deixo quieto&nbsp;em algum lugar da mem\u00f3ria o que li de manh\u00e3 sobre o menino negro que a patroa branca levou \u00e0 morte no Recife.&nbsp;A&nbsp;memoria&nbsp;devolve algumas palavras. Patroa, elevador, nono andar, o nome da m\u00e3e do menino. A descri\u00e7\u00e3o da cena me deixa nauseada. O Brasil cruel adoece. Patroa, elevador, nono andar, o nome do menino: Miguel. Olho as \u00e1rvores ao longe. Um pinheiro alto em um terreno vizinho, um pinheiro de Natal que destoa na paisagem. Misturo p\u00e1prica picante com p\u00e1prica doce no alho picado. Tom Z\u00e9 conta como n\u00e3o sabia nada e como come\u00e7ou a saber aos poucos. A inf\u00e2ncia em Irar\u00e1, a escola, a loja do pai. Os Sert\u00f5es na estante. Um dia Tom Z\u00e9 pega o livro e l\u00ea a primeira parte. Muito cheio de detalhes. Continua e chega a parte sobre o homem. Desconfia que tem alguma coisa a ver com ele. Continua e um choro o acomete. Confirma que \u00e9 sobre ele. E sobre os clientes do seu pai na loja em Irar\u00e1. Disfar\u00e7a. Ningu\u00e9m percebe em casa.&nbsp;Chora de novo. A terceira parte do livro \u00e9 gibi, e ele torce pelos jagun\u00e7os. Tom Z\u00e9 menino. O Brasil de Tom Z\u00e9 me faz juntar as batatas ao molho e retomar a lou\u00e7a na pia.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">***<\/h2>\n\n\n\n<div style=\"height:60px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"899\" src=\"https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/web\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-2238-1024x899.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-271\" srcset=\"https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/web\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-2238-1024x899.jpg 1024w, https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/web\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-2238-300x263.jpg 300w, https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/web\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-2238-768x674.jpg 768w, https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/web\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-2238-1536x1349.jpg 1536w, https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/web\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-2238-2048x1798.jpg 2048w, https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/web\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-2238-14x12.jpg 14w, https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/web\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-2238-750x658.jpg 750w, https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/web\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-2238-550x483.jpg 550w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>No final da tarde saio de carro com meu filho. Ele dirige. Tirou a carteira n\u00e3o faz muito tempo. Falamos pouco. Atravessamos o vilarejo e vemos muitos mascarados. A contamina\u00e7\u00e3o e as mortes dobraram na regi\u00e3o. No som do carro, ouvimos \u201cMeu mundo \u00e9 hoje, n\u00e3o existe amanh\u00e3 para mim\u201d. E depois \u201cFor once in my life\u201d. Cantarolamos. De repente, eu choro. A not\u00edcia de que meu tio morreu hoje de manh\u00e3 finalmente me atinge. Imagino ele dan\u00e7ando em 1968 \u201cFor once in my life\u201d. Imagino ele jovem e alegre. Minha m\u00e3e diz que ele era um pouco de esquerda. Depois casou-se com uma linda jovem de uma cidade de origem alem\u00e3 pr\u00f3xima \u00e0 cidade portu\u00e1ria em que viveu e morreu. Da varanda da casa deles viam-se navios entrando no rio. N\u00e3o sei se foi feliz. Olho meu filho dirigindo. Por tr\u00e1s dele um por do sol exuberante. Ele dan\u00e7a com as m\u00e3os ao som de um reggae. Me vem \u00e0 mem\u00f3ria uma foto do meu pai e do irm\u00e3o dele pequenos, sentados da mesma maneira, o maior abra\u00e7ado ao menor, olhando sorridentes o fot\u00f3grafo. Hoje meu pai decidiu ir ao vel\u00f3rio. Penso nos vel\u00f3rios por esse pa\u00eds. A tristeza e o desejo de um rito de despedida maiores que o temor de cont\u00e1gio. J\u00e1 \u00e9 noite quando chegamos em casa.<\/p><\/blockquote>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pequenos textos produzidos em 2020, no primeiro ano do confinamento.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":269,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[],"class_list":["post-155","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-narrativas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/155","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=155"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/155\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":357,"href":"https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/155\/revisions\/357"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/269"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=155"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=155"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=155"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}