{"id":464,"date":"2022-04-13T23:41:00","date_gmt":"2022-04-13T23:41:00","guid":{"rendered":"https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/web\/?p=464"},"modified":"2025-12-18T23:51:32","modified_gmt":"2025-12-18T23:51:32","slug":"diario-de-uma-pandemia-ou-muitos-meses-no-decimo-andar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/arquivosabertoscidades.la\/en\/diario-de-uma-pandemia-ou-muitos-meses-no-decimo-andar\/","title":{"rendered":"Di\u00e1rio de uma pandemia ou muitos meses no d\u00e9cimo andar"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Do d\u00e9cimo andar<\/h2>\n\n\n\n<p>Um pai constr\u00f3i uma cabaninha para sua filha na varanda do segundo andar do pr\u00e9dio da lateral. Len\u00e7ol, luzes amarelas e um colch\u00e3o infl\u00e1vel, onde a menina d\u00e1 gargalhadas e cambalhotas enquanto ele trabalha nos ajustes finais. Escuto as risadas das minhas amigas Taissa e Fernanda na cabaninha da nossa inf\u00e2ncia montada no meu quarto. A menina brinca sozinha e logo enjoa. As luzinhas, no entanto, ficam acesas e mergulho ali nas lembran\u00e7as de liberdade. Invento as minhas cabaninhas, decoro paredes, lavo roupas \u00e0 m\u00e3o, a m\u00e1quina quebrou. E lavo compras. Nunca existiu m\u00e1quina de lavar compras. Me adaptei \u00e0s festas virtuais, \u00e0s longas liga\u00e7\u00f5es. Sozinha como a menina, logo me canso. E os dias v\u00e3o passando lentamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma janela, observo a incid\u00eancia dos raios do sol, que mudam de posi\u00e7\u00e3o. Pela manh\u00e3, criam pequenas bolinhas de luz na minha parede azul. Nunca entendi o motivo. E gosto que seja assim. No cair da tarde, os raios refletem no vidro preto espelhado do gigantesco pr\u00e9dio comercial da frente, na praia de Botafogo. Uma vez fui l\u00e1 perguntar. S\u00e3o 26 andares, que destoam da altura dos outros edif\u00edcios e tapam todo o P\u00e3o de A\u00e7\u00facar. Minha vontade \u00e9 cort\u00e1-lo pela metade. Ainda assim, no v\u00e3o que faz entre ele e o outro edif\u00edcio, consigo ver um pouco, bem pouco, do mar. Me agarro ali como certa vez agarrei \u00e0 areia de Itacoatiara, praia onde cresci em Niter\u00f3i, enquanto uma grande onda me puxava com for\u00e7a para dentro do mar. Esperan\u00e7a em gr\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m vejo a rua, j\u00e1 sem movimento. Me pergunto se ela, assim como eu, sente falta das pessoas. Das passadas r\u00e1pidas e apressadas, das barraquinhas dos camel\u00f4s, do gelo dos ambulantes jogado na cal\u00e7ada no m da noite, da trombada de ombros na sa\u00edda A do metr\u00f4, desculpa!, do trope\u00e7o naqueles insuport\u00e1veis calombos no asfalto irregular, da vida, do barulho, do imprevisto. Na S\u00e3o Clemente, n\u00e3o se escuta mais buzina nem barulho de motor. O som agora vem dos p\u00e1ssaros e tamb\u00e9m dos pr\u00e9dios. \u00c9 a risada da menina na cabaninha, o latido incessante do cachorro, a sequ\u00eancia de espirros vespertinos da vizinha. O gozo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O\u00e1sis arquitet\u00f4nico<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c0s 17h, gosto de tomar um caf\u00e9 bem forte, sento no bra\u00e7o do sof\u00e1 rosa, apoiada no parapeito da mesma janela da sala. A vizinha da frente corre. Comprou uma esteira. Vejo um o\u00e1sis em meio aos pr\u00e9dios, casar\u00e3o antigo rodeado de \u00e1rvores. Seria a casa onde Eul\u00e1lio d\u2019Assump\u00e7\u00e3o<sup>[1]<\/sup> passou a inf\u00e2ncia? Botafogo n\u00e3o virou Manhattan e talvez isso seja bom!<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas andares, tr\u00eas janel\u00f5es enormes, sacadas em ferro com suportes que fazem desenhos arredondados, toldos rasgados, telhas verdes e um imenso jardim. Testemunho arquitet\u00f4nico de uma \u00e9poca t\u00e3o distante e que me faz sorrir. Os distra\u00eddos que andam pela Muniz Barreto certamente n\u00e3o reparam. \u00c9 como se fosse um segredo revelado apenas pra mim, voyeur di\u00e1ria dessa beleza. Penso que uma das janelas pode se abrir a qualquer momento, e que de l\u00e1 um senhor decadente e rabugento vai me acenar com sua bengala. Hist\u00f3ria secular de inspira\u00e7\u00e3o ecl\u00e9tica, com tra\u00e7os do Renascimento Franc\u00eas, que ganhou um puxadinho nos fundos com antena de TV.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem poder flanar pela cidade, vago nas alturas do d\u00e9cimo andar. O mesmo olhar atento. Nesse quarteir\u00e3o em que passado e presente convivem, sacolas pl\u00e1sticas secam no varal do pequeno corti\u00e7o, espremido entre o muro do estacionamento do meu pr\u00e9dio e o pared\u00e3o da Igreja Universal do Reino de Deus. Nunca existiu m\u00e1quina de lavar compras!<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 outro segredo s\u00f3 meu. O\u00e1sis n\u00e3o-arquitet\u00f4nico, mas cheio de vida. Quem passa pela S\u00e3o Clemente tamb\u00e9m n\u00e3o pode imaginar que aquela portinha branca se abre para esse corti\u00e7o de corredor estreito e casas amontoadas, com gatos passeando pelos telhados. Em v\u00e3o, me esfor\u00e7o para escutar a conversa das duas senhoras que gesticulam enquanto tiram as sacolas pl\u00e1sticas do varal. O papo parece bom. Usam m\u00e1scara no quintal de casa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">S\u00f3 dois reais<\/h2>\n\n\n\n<p>Trancada em casa \u00e9 como se minhas mem\u00f3rias cassem ainda mais vivas. Transito entre elas, resgatando passado, fantasiando futuros. Procuro o descascador de legumes cor de rosa-choque, com suas l\u00e2minas afiadas em um suporte de pl\u00e1stico.<\/p>\n\n\n\n<p>Desculpe interromper o sil\u00eancio de sua viagem. Descascador de legumes \u00e9 s\u00f3 dois reais! Tamb\u00e9m \u00e9 ralador e fatiador, gritava o vendedor enquanto descascava facilmente uma cenoura. E depois uma abobrinha. Eram poucos passageiros, uns oito. Todos compraram. Sem exce\u00e7\u00e3o. Um saquinho de 7 Belo ou de Mendorato n\u00e3o teria feito o mesmo sucesso.<\/p>\n\n\n\n<p>Por onde estaria ele? Termino de descascar as batatas pensando no rapaz. Procuro minha faca de serra da Tramontina, com cabo de madeira e duas bolinhas. Tenho certeza que boa parte das casas cariocas tem uma dessa. Vision\u00e1rio, escolheu o produto certo, criou o discurso perfeito e exemplificou. Foi batata! Com certeza agora perdeu boa parte da freguesia. Escorre uma l\u00e1grima. Odeio cortar cebola.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u00c0s 20h30<\/h2>\n\n\n\n<p>Todas as noites, impreterivelmente \u00e0s 20h30, gritamos Fora Bolsonaro. Genocida. Fascista. Assassino. Dezenas de vozes ecoam pelas janelas, num coro de \u00f3dio e tristeza pelas milhares de v\u00edtimas do coronav\u00edrus. Sinto que \u00e9 o momento do desabafo, de colocar a raiva pra fora. Tamb\u00e9m de contato, de troca de olhar, de apoio, mesmo que de longe.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros gritam mito. Fora comunista. Vai pra China. Fazem arminha com a m\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o ao meu pr\u00e9dio, na minha dire\u00e7\u00e3o. Quase sempre instaura-se um bate-boca geral, que dura cerca de cinco minutos. Os nervos est\u00e3o \u00e0 flor da pele. Algumas vezes, pequenos grupos com camisa do Brasil e sem m\u00e1scara fazem pequenas manifesta\u00e7\u00f5es em frente ao Consulado da China. Mais gritos ecoam. Xenof\u00f3bicos. Fascistas. Racistas. Gado. Fora Bolsonaro. Retrato de um pa\u00eds partido.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Imprevisto<\/h2>\n\n\n\n<p>Sinto saudades da fofoca na cal\u00e7ada da casa onde fui criada, em Itaipu. De andar pelas ruas catando manga-espada, de subir no p\u00e9 de goiaba da casa do lado, do banho de mangueira com meus amigos. Falta vida aqui em Botafogo. Mesmo antes da pandemia, mal conhecia meus vizinhos. Agora, nem o encontro no elevador \u00e9 mais poss\u00edvel. A regra \u00e9 clara: apenas membros da mesma casa podem pegar o elevador juntos. Use m\u00e1scara. Fique em casa. Tenho vontade de usar a \u00e1gua de col\u00f4nia da Coty que Clarice Lispector usou no dia em que conheceu Olga Borelli. Me encher de Imprevisto. Perfume barato, contou ela, mas que serviu para mostrar que o inesperado tamb\u00e9m pode acontecer. Quero ver se alguma coisa boa acontece no meu caminho at\u00e9 a lixeira.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Domingo de manh\u00e3<\/h2>\n\n\n\n<p>Pagode na caixa de som, cerveja para gelar e inicio o ritual: aspirador, vassoura, que tamb\u00e9m \u00e9 microfone, pano com cera l\u00edquida para conservar bem os tacos de madeira. O vizinho de baixo aperta mais um baseado cheiroso. Jorge Arag\u00e3o pra enxaguar o banheiro. Abro o Instagram e v\u00e1rios amigos seguem ritual parecido. V\u00eddeos de arruma\u00e7\u00e3o da casa com pagode e cerveja. Domingo de faxina \u00e9 o novo normal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A feira<\/h2>\n\n\n\n<p>Pe\u00e7o um quilo e meio de sobrecoxa desossada. Depois de limpar, o a\u00e7ougueiro coloca tudo num saco pl\u00e1stico e faz um furinho com a faca antes de embrulhar com papel. Parece dia de chuva mas sem chuva. Poucas pessoas, poucos gritos e risadas. Sinto falta da confus\u00e3o, do carrinho de metal batendo na canela. Numa tentativa de travar um di\u00e1logo, pergunto o porqu\u00ea do furo. Est\u00e1 de m\u00e1scara, mas sorri com os olhos, gosta da pergunta. Me conta que \u00e9 para o saco pl\u00e1stico n\u00e3o ficar com ar e, num desabafo, emenda: nem a feira aqui \u00e9 mais a mesma, as pessoas est\u00e3o com medo de conversar.<\/p>\n\n\n\n<p>Pe\u00e7o uma d\u00fazia de ovos. Agrade\u00e7o com palavras, mas tamb\u00e9m com os olhos, com a certeza de que criamos um v\u00ednculo. O v\u00ednculo saco pl\u00e1stico furado.<\/p>\n\n\n\n<p>Caminho em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 minha casa, numa volta mais longa pelos quarteir\u00f5es. Desde que voltou a ter feira, vou religiosamente toda segunda. Goma de tapioca, queijo meia cura, br\u00f3colis, maracuj\u00e1, \u00e1gua de coco e um pouco de respiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Passo na frente de uma antiga casa que tem uma Nossa Senhora pintada em quatro azulejos pregados na diagonal da fachada principal. Sinal de prote\u00e7\u00e3o. Lembro do altarzinho feito por meu pai com um S\u00e3o Francisco de Assis esculpido em madeira e colocado na entrada de casa. Antes da pandemia, era comum que pessoas ali parassem para observar e, quem sabe, pedir uma forcinha pro santo. Pe\u00e7o equil\u00edbrio. Os dias no apartamento v\u00e3o ficando cada vez mais insuport\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Hort\u00eancia, flor mais linda<\/h2>\n\n\n\n<p>Passo manteiga no p\u00e3o franc\u00eas dormido e aperto bem na frigideira. Reservo num prato. Jogo o queijo meia cura comprado na feira. Tshhhh. Como eu amo esse barulho! Deixo ficar bem derretido e s\u00f3 ent\u00e3o coloco em cima do p\u00e3o. Quer que eu fa\u00e7a um p\u00e3ozinho com queijo pra voc\u00ea?, perguntava minha av\u00f3 logo depois de me acordar. Ela entrava mil vezes no quarto, mexia em sacolas pl\u00e1sticas at\u00e9 eu despertar. Eu ficava irritada. Mas logo depois se oferecia para fazer o p\u00e3ozinho. Era meu caf\u00e9 da manh\u00e3 preferido. Reproduzo os mesmos passos, tem gostinho de afeto. O dela era melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>Comecei a pensar nela com mais frequ\u00eancia desde que eu trouxe suas plantas aqui pra casa. Cuido pacientemente como se um pedacinho dela ainda estivesse vivo. Olhos verdes, cerca de 1,60 de altura, mandona, personalidade forte. M\u00e3e de tr\u00eas filhas. Era a oitava dos quinze irm\u00e3os, foi a pen\u00faltima a morrer. Seus pais, uma ind\u00edgena e um tipo que chamo de bandeirante, queriam completar o alfabeto. Ou seria s\u00f3 ele? Ao chegarem no L, pularam pro Z de Zen\u00f3bia. Depois seguiram at\u00e9 o N de N\u00edmia, a ca\u00e7ula.<\/p>\n\n\n\n<p>Me olho no mesmo espelho que ficava pendurado na sala do \u00faltimo apartamento dela, e que agora decora a minha sala. Me vejo sozinha, sem filhos, sem irm\u00e3os, com minhas dezenas de plantas, uma inclusive tatuada no ombro esquerdo. Me sinto bem. Quanta coisa mudou em apenas duas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O \u201cclik\u201d que escapa do tempo<sup>[2]<\/sup><\/h2>\n\n\n\n<p>Sabe o que voa? O tempo. Pergunta ret\u00f3rica de Maria Ant\u00f4nia, de 7 anos, no Natal. Voa lentamente. Pedalo at\u00e9 a Praia Vermelha enquanto escuto um podcast sobre recome\u00e7os. Tem meses que n\u00e3o vou l\u00e1, mas passou t\u00e3o r\u00e1pido\u2026 O primeiro mergulho no mar tinha que ser na praia que foi meu ref\u00fagio em 2020. Entre recome\u00e7os, tentativas e recorr\u00eancias, invento meus pr\u00f3prios rituais e os sigo como se deles dependesse essa sorte nas pequenas coisas que vem me acompanhando h\u00e1 algum tempo. Minha melhor amiga foi quem me chamou aten\u00e7\u00e3o sobre isso.<\/p>\n\n\n\n<p>O momento pleno \u00e9 o cerne do tempo absoluto, \u00e9 o ponto \u00ednfimo dentro da exist\u00eancia, escreveu Lygia Clark no seu di\u00e1rio, autoajuda-chique, apresentado por outra grande amiga. Plenitude fugaz. Um mergulho. Que sorte a minha!<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 estava com saudades de seu Heitor. Todos os dias, ele caminha sozinho na areia. Um andar que tomba pro lado esquerdo, peito branco, cabelos e bigode brancos, sunga azul, chap\u00e9u panam\u00e1. Bem cedinho.<br>Gosto de imaginar a vida desse senhor, que virou meu companheiro, ainda que talvez ele nunca tenha notado minha exist\u00eancia. Gosto de observ\u00e1-lo com admira\u00e7\u00e3o. Tenho muito de seu Heitor. O gosto pelo mar, pela vida, a solid\u00e3o, a cintura torta pro lado esquerdo. \u00c9 muito querido. Todos da praia o chamam pelo nome. Quer um coco, seu Heitor? Hoje n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto acompanho com os olhos esse caminhar solit\u00e1rio, imagino sobre sua vida. Provavelmente uma boa vida. Reito sobre a velhice e a morte. A dele e a minha. Uma vez, ouvindo um outro podcast me deparei com a pergunta: qual o \u00faltimo som que voc\u00ea gostaria de escutar? Fiquei na d\u00favida entre as ondas batendo na areia da praia ou o rio correndo por meio da mata. N\u00e3o sei se seu Heitor j\u00e1 pensou sobre isso, acho que n\u00e3o, mas talvez ele preferisse as ondas suaves da Praia Vermelha.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[1]<\/sup>Narrador-personagem do livro Leite Derramado, de Chico Buarque, que morava<br>num casar\u00e3o em Botafogo.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[2]<\/sup>Frase riscada por Lygia Clark em seu di\u00e1rio. CLARK, Lygia. \u201cO autorretrato de<br>Mario Pedrosa\u201d. In Lygia Clark: uma retrospectiva. Org. DUARTE, S\u00e9rgio; SCOVINO, Felipe. S\u00e3o Paulo: Ita\u00fa Cultural, 2015, p. 95.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do d\u00e9cimo andar Um pai constr\u00f3i uma cabaninha para sua filha na varanda do segundo andar do pr\u00e9dio da lateral. Len\u00e7ol, luzes amarelas e um colch\u00e3o infl\u00e1vel, onde a menina d\u00e1 gargalhadas e cambalhotas enquanto ele trabalha nos ajustes finais. 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